Uria Simango

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Uria Timóteo Simango (15 de Março de 1926 - 1977?) foi um pastor presbiteriano moçambicano e líder proeminente da Frente de Libertação de Moçambique, FRELIMO, durante a luta de libertação contra o regime colonial português. A data exacta da sua morte é desconhecida, uma vez que foi extra-judicialmente executado (juntamente com vários outros dissidentes da FRELIMO e sua esposa, Celina) pelo governo pós-independência de Samora Machel. A sua biografia foi publicada em 2004.
Uria Simango 
abril de 2015 
sim 
Uria Timóteo Simango (15 de Março de 1926 - 1977?) foi um pastor presbiteriano moçambicano e líder proeminente da Frente de Libertação de Moçambique, FRELIMO, durante a luta de libertação contra o regime colonial português. A data exacta da sua morte é desconhecida, uma vez que foi extra-judicialmente executado (juntamente com vários outros dissidentes da FRELIMO e sua esposa, Celina) pelo governo pós-independência de Samora Machel. A sua biografia foi publicada em 2004. Simango foi membro fundador da FRELIMO, com estatuto de Vice-Presidente desde a formação desta frente até à data do assassinato do seu primeiro líder, Eduardo Mondlane, em Fevereiro de 1969. Simango sucedeu a Mondlane na liderança da FRELIMO mas, na luta pelo poder após a morte de Mondlane, a sua presidência foi contestada e, em Abril de 1969, acabou por ser substituída pelo triunvirato composto pelo próprio Simango e pelos marxistas de linha dura Samora Machel e Marcelino dos Santos. Nos finais da década de 1960, registaram-se lutas fratricidas no seio da FRELIMO, com vários membros a morrerem por causas não naturais. Ver também Pluralism and Elite Conflict in an Independence Movement: FRELIMO in the 1960s, de Walter C. Opello. O triunvirato não durou muito: Simango foi expulso do Comité Central em 1969 e Samora Machel e Marcelino dos Santos assumiram o controlo total da FRELIMO. Em Abril de 1970, Simango fugiu para o Egipto, onde, juntamente com outros dissidentes, como Paulo Gumane (Vice-Secretário Geral fundador da FRELIMO), se tornou líder do Comité Revolucionário de Moçambique (COREMO), um outro pequeno movimento de libertação. Depois da Revolução dos Cravos em Portugal, em 1974, Simango retornou a Moçambique e criou um novo partido político, o "Partido da Coligação Nacional" (PCN), na esperança de disputar eleições com a FRELIMO. Ao PCN aderiram várias outras figuras proeminentes do movimento de libertação e dos dissidentes da FRELIMO: Paulo Gumane e Adelino Gwambe (também membro fundador da FRELIMO), o Padre Mateus Gwengere e Joana Simeão. A FRELIMO recusou eleições multipartidárias. O governo português pós-1974 entregou-lhe o poder exclusivo, e Moçambique tornou-se independente em 25 de Junho de 1975. Samora Machel e Marcelino dos Santos assumiram os cargos, respectivamente, de Presidente e Vice-Presidente. Graça Machel foi nomeada Ministra da Educação e Joaquim Chissano Ministro dos Negócios Estrangeiros. Uria Simango foi preso e forçado a fazer uma confissão pública de 20 páginas em 12 de Maio de 1975, no Centro de Reabilitação e Reeducação de Nachingwea (Tanzânia), onde se retractava e solicitava reeducação. A sua confissão forçada pode ser ouvida em linha. Ele e os restantes líderes do PCN nunca mais foram libertados. Simango, Gumane, Joana Simeão, Gwambe, Gwengere e outros foram secretamente liquidados numa data indeterminada entre 1977 e 1980. Nem o lugar onde foram executados, nem a maneira como a execução ocorreu foram até hoje divulgados pelas autoridades. A esposa de Simango, Celina, foi executada em separado algum tempo depois de 1981, e não há registo público de detalhes ou da data da sua morte. Contudo, segundo revelam os jornalistas José Pinto de Sá e Nélson Saúte no diário português «Público», Joana Simeão, o reverendo Uria Simango, Lázaro Nkavandame, Raul Casal Ribeiro, Arcanjo Kambeu, Júlio Nihia, Paulo Gumane e o padre Mateus Gwengere encontravam-se internados no «campo de reeducação» de M’telela, no Niassa (noroeste de Moçambique), quando, a 25 de junho de 1977 (segundo aniversário da independência de Moçambique), lhes foi comunicado que iriam ser transportados para a capital, Maputo, onde o presidente Samora Machel discutiria a sua libertação. Seguiam numa coluna de jipes que, a dada altura, parou. À beira da picada, os soldados tinham aberto com uma escavadora mecânica uma grande vala e tinham-na enchido parcialmente de lenha. Amarraram os prisioneiros, atiraram-nos para dentro da vala e regaram-nos com gasolina, ateando-lhes fogo. Os prisioneiros políticos da FRELIMO foram queimados vivos, enquanto os soldados entoavam hinos revolucionários em redor da vala. Só dezoito anos mais tarde, em 1995, vieram a lume os macabros pormenores do massacre, perante o silêncio da FRELIMO, cujos sucessivos governos se tinham até então sistematicamente negado a fornecer informações sobre o paradeiro daqueles elementos do chamado «grupo dos reacionários». Nos finais dos anos 1970, uma insurreição sangrenta levada a cabo pela RENAMO (Resistência Nacional de Moçambique) mergulhou o país numa devastadora guerra civil. A RENAMO foi inicialmente fomentada pelo regime rodesiano, mas desde 1980, na fase mais brutal, recebeu o apoio do regime de apartheid da África do Sul. A insurgência de 1980 ficou associada a atrocidades contra a população civil. Seguiram-se o colapso económico e a fome, agravados pela seca no início dos anos 1980. Após a morte de Samora Machel, em 1986, Joaquim Chissano tornou-se presidente. Moçambique alcançou a paz graças a um acordo de paz assinado em Roma em 1992, através da mediação da Comunidade de Sant'Egidio. Em 1994, vinte anos depois do colapso do PCN, o partido da oposição criado por Simango, realizaram-se finalmente eleições multipartidárias. 
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